Uma nova fronteira na medicina diagnóstica está a abrir-se através do olhar. Investigadores descobriram que uma análise detalhada da retina — frequentemente descrita como uma extensão direta do cérebro — pode fornecer sinais cruciais para a identificação do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e do Transtorno do Défice de Atenção com Hiperatividade (PHDA). Esta descoberta promete revolucionar a forma como estas condições neurobiológicas são detetadas, oferecendo um método mais objetivo e precoce.
O estudo, desenvolvido por especialistas da Universidade da Austrália do Sul (UniSA) em colaboração com a Universidade Flinders, utilizou um exame conhecido como eletrorretinograma (ERG). Este teste mede a resposta elétrica das células da retina quando estas são expostas a estímulos luminosos. De acordo com os cientistas, os padrões de resposta variam significativamente entre indivíduos com desenvolvimento típico e aqueles com diagnósticos de autismo ou PHDA.
A importância desta investigação reside na capacidade de diferenciar as duas condições de forma biológica. Embora o autismo e o PHDA partilhem frequentemente sintomas comportamentais sobrepostos, os sinais captados na retina mostraram-se distintos. Enquanto os dados recolhidos indicaram que crianças com PHDA apresentam uma energia de sinal ERG mais elevada, aquelas com autismo exibiram sinais mais reduzidos, permitindo uma distinção clara através de biomarcadores específicos.
Atualmente, o diagnóstico destas condições depende fortemente de observações comportamentais, questionários e entrevistas clínicas, processos que podem ser demorados, dispendiosos e, por vezes, subjetivos. A introdução de uma ‘fotografia’ ou mapeamento ocular como ferramenta de rastreio clínico poderia acelerar drasticamente o acesso a intervenções terapêuticas, que são fundamentais para o desenvolvimento e a qualidade de vida dos pacientes a longo prazo.
Os investigadores sublinham que este é um passo gigante para a medicina personalizada e para a neurologia moderna. Ao utilizar a retina como um espelho do sistema nervoso central, a ciência caminha para diagnósticos mais precisos e menos invasivos, garantindo que cada indivíduo receba o apoio adequado o mais cedo possível, baseando-se em evidências fisiológicas concretas.
Last modified: maio 17, 2026

